Thursday, December 11, 2008

Saturday, December 06, 2008

Silvia Vidal - Trento Film Festival - Life is Lilac



Entre Boires

Silvia Vidal big wall climbing on Huascaran North, Peru

From 23 July to 9 August Silvia Vidal and Youri Cappis carried out the first ascent of "Entre boires" A3/6a+/80º on the East Face of Huascaran North (Cordillera Blanca, Peru).

Silvia Vidal continues to explore the world's biggest walls. From 23 July to 9 August the Catalan climber teamed up with Youri Cappis to carry out the first ascent of "Entre boires" A3/6a+/80º on the East Face of Huascaran North (Cordillera Blanca, Peru). Her expedition report is published below:

Entre boires, Huascaran North, Peru
by Silvia Vidal
From 23rd July to 9 August, after 7 days hauling all the stuff to the base of the wall, acclimatising and fixing the first 200 meters of the route, Youri Cappis (from Switzerland but now living in Catalonia) and I climbed a new route on East Face Huascaran North.

Youri had no previous experience on Big Walls, but he wanted to come along and experiment living on a wall for numerous days, at altitude and without any connection to "civilization". 10 days before starting for Peru he had never even used a Jumar. He practiced it for 2 days and... came along. It turned out to be an amazing experience for him and also for me!

We established ABC at 5200 meters and after the 7 days acclimatizing, hauling and fixing, we started up the wall. Our intention was to climb a rock triangle and then continue to the top. We failed to reach the summit because of bad weather, ice conditions and because of the extremely difficult return to our portaledges.

The main difficulty of the route was the route finding, this proved complex climbing upwards and even more difficult in descent. The first section is marked by numerous roofs which we attempted to avoid. The middle section is comprised of snow and ice up to 80º and hauling and rappelling with haulbags proved tiring. The final section is overhanging and the rock quality changes considerably, from very loose to bomber. Thankfully the line of ascent is direct and easy up this final section.

Access to the wall is pretty dangerous because of the avalanches from the serac in between the two Huascaranes. Furthermore, the base of the wall is prone to rockfall and our fixed rope was cut in two places. While the route itself is pretty safe thanks to the big roofs and the overhangs, we encountered difficulties rappelling through the overhang spent two and a half days abseiling down through the roofs, traverses and snow sections.

We spent a total of 18 days (17 bivouacs) on the wall and did not have a single day of excellent weather. Intense cold froze our waterbottles and caused some troubles with our feet, hands and nose. As a result I spent some days soloing pitches while Youri rested on the portaledge.

It seemed to us that we were climbing up a virgin wall and we had failed to find any information about other possible routes. This had been a really bad season in Peru and although we had some sunny moments, we climbed almost entirely through fog and snowfall. That's why we called the route "Entre boires", which in Catalan means "inside the fog".

Entre boires
East Face of Huascaran North (Cordillera Blanca, Peru)
Silvia Vidal & Youri Cappis, 23/07 - 09/08/2008
ABC: 5200m
Base of the wall: 5350m
End of the route: 6150m
Route length: 970m
3 Wall camps: C1/R5 5500m, C2/R10 5750m, C3/R14 5950m
Grade: A3/6a+/80º
Days on the wall: 18 days
Fixed rope: 200 m


Source: PLANETMOUNTAIN.COM

Friday, December 05, 2008

Nicola Martinez - Na trilha das rochas

Por Joao Vidotti - Estudio Magico Multimidia
Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4


Filme selecionado pro Banff 2008 - Festival de filmes de montanha do Rio de Janeiro

Materia Revista Go Outside - Outubro 2008

O MACACO-LOUCO DE YOSEMITE

Ele enfrentou 16 dias de escalada artificial em solitário para atingir o cume de 1.000 metros do El Captain, uma das paredes mais verticais do mundo. Repetiu o feito seis vezes, cada hora por uma via mais complicada, e em duas saltou lá de cima praticando base jump. Aos 29 anos, o escalador e base jumper Nicola Martinez brilha como o maior especialista brasileiro em ascensões difíceis no Yosemite, parque norte-americano considerado a meca mundial da escalada em big wall

Por Daniel Nunes Gonçalves

JÁ TINHAM SE PASSADO DEZ DIAS desde que o escalador Nicola Martinez, 29 anos, pendurara seus haulbags – os sacos onde são carregados equipamentos e mantimentos – na parede do Half Dome, no Parque Nacional de Yosemite, na Califórnia (EUA). Ele estava pronto para escalar a Queen of Spades, uma complicada via graduada em A4 (na escala que vai até A5), no estilo que virou sua especialidade: artificial em solitário. A única vez que um grupo fez aquela ascensão foi em 1984.
Nicola levou quase uma semana para carregar mais de 120 quilos de equipamento até a base da parede. Esperou uma tempestade passar e gastou outros três dias buscando mais comida – a que ele havia carregado para a montanha dias antes fora devorada por um urso, que o encarou a uma distância de um metro do portaledge que o abrigava.
Logo no começo da escalada, quando já estava a uns 120 metros do solo, Nicola despencou por 6 metros e ficou suspenso pelo equipamento. Ele não sentia dores depois dessa queda inicial e, incansável, retomou o ataque, arriscando diferentes equipamentos no intuito de avançar em uma das big walls mais temidas do mundo. “Saí da terceira ancoragem consciente de que o blocão que me segurava não era dos mais confiáveis”, lembra. De repente, o susto: Nicola viu a rocha desabando em sua direção, encolheu-se e logo sentiu o impacto no capacete, na mão esquerda, no joelho. Para seu alívio, embora parte da parede tenha cedido, a corda não se rompeu. Usando uma só mão – a esquerda, ensangüentada, doía muito –, ele precisou de mais de duas horas para descer dali em um delicado processo de auto-resgate. Experiente, Nicola se safou sem traumas e poucos dias depois decidiu se recuperar divertindo-se de uma forma não menos arriscada: saltando de base jump de uma ponte de 250 metros em Auburn, na Califórnia.
O perrengue acima aconteceu em junho deste ano, mas desafios como esses fazem parte da rotina de Nicola Martinez Gomes, um descendente de espanhóis de 29 anos que, mesmo pouco conhecido no Brasil, está dando o que falar nas rodinhas de escaladores internacionais. Especialmente se o assunto for o Yosemite: Nicola é um verdadeiro expert nos desafios dessa Meca outdoor.
Desde que esse paulista criado em Londrina (PR) estreou na escalada, em 1997, tem evoluído no esporte numa velocidade impressionante. Já explorou, com técnicas diferentes e por dias a fio, montanhas dos Estados Unidos, Itália, Inglaterra, Canadá. Mas foram as big wall do parque californiano que o fisgaram de fato. Faz quatro anos que Nicola passa temporadas de seis meses ali, escalando ou saltando de base jump, e acumulando uma experiência que lhe rendeu uma lista de predicados inédita entre brasileiros: é o homem com o maior número de escaladas em big wall do Yosemite, o primeiro a subir em solitário o El Captain (o maior monolito de granito do mundo) e o único que explorou essa parede mais de dez vezes e por sete vias distintas.

“ESCALO HÁ 17 ANOS E NUNCA VI alguém evoluir com essa rapidez em uma modalidade de escalada tão difícil e desgastante”, diz o escalador e fotógrafo Márcio Bruno, 33 anos, citado por Nicola como influência entre os escaladores brasileiros, assim como Eliseu Frechou e Sérgio Tartari. “Ele escala no estilo mais bonito e difícil, com uma impressionante resistência física e psicológica mesmo quando exposto a riscos prolongados”, continua, referindo-se à modalidade de escalada em que o escalador se move sustentado por peças que agüentam somente o peso do seu corpo, em um meticuloso processo de escolha do caminho e do melhor equipamento entre centenas de opções técnicas.
Em 1997, Márcio subia a Pedra do Baú, em São Bento do Sapucaí (SP), quando conheceu Nicola, então um novato dando seus primeiros passos num curso básico de escalada. Nicola gostou tanto do negócio que encasquetou: iria juntar dinheiro para virar escalador profissional, comprar bons equipamentos e realizar o sonho de conhecer Yosemite. O rapaz traçou uma estratégia e seguiu à risca. Enquanto explorava montanhas do Paraná, de São Paulo e Santa Catarina, conseguiu que fosse reconhecida a cidadania herdada por seus avós espanhóis. Aos 19 anos, com passaporte europeu, mudou-se para o Velho Continente. Desistiu de cursar faculdade e foi praticar inglês, italiano e espanhol durante dois anos. Foi barman, motorista de caminhão, cozinheiro num refúgio de montanha. Juntou dinheiro até que, em 2004, conheceu os Estados Unidos. Mochila nas costas, desembarcou na costa leste, em Boston, e optou pelo caminho mais longo. Passando pelas belas Rocky Mountains canadenses, levou mais de dois meses para atingir a Califórnia, na borda oeste, onde pretendia escalar por duas semanas. Acabou passando oito meses, se apaixonando pelo Yosemite e decidindo gastar nas escaladas todo o dinheiro que ganhasse a partir daquele momento.
“Cheguei tarde da noite na cidadezinha de Merced, que fica a uma hora do vale do Yosemite, e tive que dormir na rodoviária”, lembra Nicola, que adora contar como foi sua chegada ao lugar dos sonhos de 10 entre 10 escaladores de rocha. O relato detalhado você pode ler no bem-sacado blog Rock Monkey (http://nicolamartinez.blogspot.com) ou em algum dos textos que o “macaco da pedra” escreve em sites especializados, como o Alta Montanha. Além do amor à primeira vista pelo que ele chama de Vale Encantado, Nicola conheceu na sua manhã de estréia no acampamento 4 o escalador Dave Turner, um local que se tornaria, mais que um amigo, um padrinho. No primeiro dia, Nick ajudou Dave a carregar seu equipamento para uma escalada de 12 dias. Em troca, esse experiente casca-grossa das big walls lhe daria nas semanas seguintes o caminho das pedras mais alucinantes de Yosemite.
“Em pouco tempo vi Nick completando, ao meu lado, algumas escaladas em solitário muito difíceis”, lembra Dave, hoje escalador profissional aos 26 anos. Suas primeiras paredes – Washington Column, Leaning Tower e, logo na terceira big wall, a temida via Mescalito do El Captain – foram enfrentadas sem ajuda de ninguém. Primeiro brasileiro a realizar essa proeza, após os 11 dias que passou pendurado até chegar ao cume, Nicola ganhou com a conquista da Mescalito uma espécie de carimbo no passaporte para que pudesse aprender, com Dave Turner, os segredos da escalada de velocidade. Juntos eles subiram a parede Zodiac, do El Captain, em apenas 17 horas e com 16 cordadas, e a North America Wall, em 32 horas e com 33 cordadas. No último verão, quando viajaram juntos para a Patagônia, Dave deu sua prova de amizade ao enfrentar o ladrão que tentou roubar a mochila de Nick em Buenos Aires, na Argentina. Uma retribuição e tanto: foi Nicola quem carregou os 40 quilos de equipamento por 5 horas até o ponto da Patagônia em que Dave começaria sua última escalada de peso: em solitário no Cerro Escudo, abrindo uma via com mais de 1.300 metros, sem o uso de cordas fixas, em 34 dias de escalada non stop.
No ano seguinte, 2005, depois de passar pelo Brasil, Nicola voltou para Yosemite de forma igualmente marcante. Após dormir 16 dias na vertical, repetiu o pico do El Captain por outra via punk, a Tempest (VI 5.10 A4+), sendo apenas o quarto homem da história a subi-la em solitário. “Não conheço outro brasileiro que tenha passado 16 dias na rocha, como fez o Nick”, diz Márcio Bruno, reconhecendo a dificuldade da empreitada. “Ao escalar sozinho em artificial, o cara gasta o dobro do tempo e se cansa mais ao trabalhar o triplo do que se estivesse em uma escalada acompanhada, com a carga repartida”, explica. Nicola parece se atrair pelo que não é fácil. Gosta de paredes que quase ninguém subiu, prefere a velocidade à lentidão e a solidão às escaladas em grupo. “Gosto da intensidade das experiências, de aprender coisas novas”, define.
Com a Mescalito e a Tempest no currículo, Nicola Martinez teve a honra de ser aceito pela comunidade de escaladores de longa data do Yosemite como um autêntico dirtbag. Assim são chamados os escaladores que passam temporadas inteiras no parque, dormindo com seus sacos de dormir ao ar livre como se fossem malas sujas. Entre os colegas desse mesmo grupo, fascinado por andar à margem, estão os guias piratas, que acompanham esportistas menos experientes sem a autorização do Yosemite Mountaineering Climbing School, e os saltadores de base jump clandestinos (o esporte é proibido ali), subgrupo ao qual Nicola também se integrou. “Nosso lance é escalar, sem essa burocracia de ter que pagar taxa, fazer teste disso e daquilo”, diz Nicola, que tem escalado novas vias ano a ano: Nawall, Zenniata Mondata, Sea of Dreams, Triple Direct, e por aí vai. A comunidade que o adotou já chegou a lhe abrigar com casa e comida numa situação em que teve roubados os últimos 600 dólares do bolso.
Estilo para ser um dirtbag de Yosemite não falta a Nicola. Como se não bastasse a técnica e o arrojo, ele é um gente fina bem-humorado que dá a impressão de não estar nem aí com qualquer coisa que não sejam os esportes que ama. No dia em que encontrou o repórter de Go Outside para uma entrevista em pleno aeroporto de Cumbica (SP), em sua primeira passagem pelo Brasil depois de três anos na estrada, refazia duas malas que pesavam 60 quilos. Para evitar pagar excesso de bagagem, Nick não se importou de espalhar cuecas e cordas pelo chão diante do check-in da British Airways. Seu corpo magrelo, 58 quilos e 1m78, vestia blusa e calça surradas que pareciam ter dois números a mais. A barba estava por fazer e o cabelo era moicano. “Não ligo pra essa coisa de estética”, diz. Nick já usou dredlocks, corta os próprios cabelos que já pintou de amarelo, e chegou até a barbear apenas a metade direita do rosto (confira a foto no blog). Na verdade, Nicola é um desencanado espírito livre, avesso a máscaras sociais. Não se importa de ficar sem tomar banho por 16 dias e ostenta um carisma que já lhe rendeu experiências como apresentador da série De Carona Com O Nick, no programa Gravidade Zero, exibido na TV e na internet.
“O Nick é capaz de te dar o último gole de água ou o único dólar que resta na carteira”, diz o escalador norte-americano Aaron Jones, que acompanhou, à distância e também pendurado no paredão, a escalada solitária de Nick na perigosa Porcelain Wall, em 2006. O nome vem da rocha, tão frágil que faz lembrar porcelana. O brasileiro quebrou um hiato de onze anos desde a primeira conquista da via mais difícil dessa parede, batizada de When Hell Was In Session (VI 5.10 A5), percorrendo seus 800 metros ao longo de 11 dias. O esforço físico de içar 150 quilos de equipamento, mais comida, fogareiro e o tubo de PVC onde alivia e carrega suas necessidades fisiológicas o fez descer seis quilos mais magro. “Enfrentamos tempestades pendurados na rocha e dormimos em cavernas em um dos invernos mais chuvosos da história do Yosemite”, conta Aaron. A dupla repetiria a dobradinha trabalhando juntos na produção do documentário alemão Am Limit, dos irmãos Alex e Thomas Huber – um bico que rendeu a melhor remuneração de Nicola nos últimos anos: 5 mil dólares por 23 dias carregando equipamento de filmagem morro acima.

TER SE TORNADO UM ÁS DA ESCALADA EM BIG WALL não levou Nicola a almejar grandes altitudes ou sonhar com montanhas de neve do naipe do Aconcágua ou do Everest – ele prefere a experiência radical do big wall. Seu recorde de altitude foram os 4.500 metros na Sierra Nevada dos Estados Unidos. Mas as longas esperas pelo bom tempo e a vontade de voltar dos cumes de forma mais rápida e emocionante o levou a descobrir, em 2006, o base jump. Nicola se destaca hoje por ser um caso raro de escalador com prazer também por se atirar lá do alto. Primeiro ele arrumou emprego numa escola de pára-quedismo para que pudesse aprender a saltar sem torrar uma nota. Passou um ano dobrando pára-quedas, ganhando uma merreca de 5 a 10 dólares por cada unidade dobrada e chegando a embolsar 350 dólares por dia. “Eu estava ao lado dele no seu primeiro salto de pára-quedas, e lembro que chegamos a ficar preocupados”, lembre a escaladora do Alasca Paige Davis, 28. Tenso, Nick rodou tão forte que se afastou dos dois instrutores e só conseguiu abrir o pára-quedas a 4 mil pés, quando o correto é dispará-lo aos 5 mil. Aterrissou longe e assustado, mas fez questão de repetir o salto sozinho. “Como se não bastasse ser um grande escalador, ele se deu muito bem também como sky-diver”, reconheceria Paige mais tarde. E também como base jumper: apenas seis meses depois de se acostumar com os 65 saltos de aviões, Nicola saltou pela primeira vez de uma ponte em Idaho, EUA.
Foi na noite de 31 de dezembro de 2006. Nicola e seus amigos Chris McNamara e Miles Daisher comemoraram o ano novo saltando, à meia-noite, da ponte Perrine, com 120 metros – um deles com uma garrafa de champanhe à mão. Instantes depois de chegarem ao solo e se abraçarem, foram focados pelos holofotes da polícia no alto da ponte. “Achavam que éramos suicidas”, lembra Nicola. Gritamos ‘we are base jumpers, happy new year!’ (somos base jumpers, feliz ano novo!) e saímos correndo dali para não sermos presos”. O salto foi uma estréia e tanto para quem nunca tinha experimentado aquele tipo de queda livre. Hoje o caderninho de Nick já lista cerca de oitenta saltos como esse, de plataformas que variam de perigosas torres de energia elétrica aos dois saltos dos 1.000 metros do topo do El Captain, na companhia de ninguém menos que seu ídolo Dean Potter – escalador que o inspirou também aos primeiros exercícios de caminhada sobre cordas, o slack line. Só do monte Brento italiano, com 800 metros de altura, Nicola já chegou a pular quatro vezes no mesmo dia. Nos pára-quedas, a quantidade de saltos já ultrapassa os 125.
Os saltos de base jump – segunda paixão de Nicola depois das escaladas em big wall – acontecem em Yosemite sempre na última luz do dia, quando a escuridão eminente ajuda os dirt bags a se esconderem dos guarda-parques. “Quando chegamos lá embaixo, tem sempre alguém de carro esperando para fechar o pára-quedas e podermos fugir rapidinho”, confessa Nicola. Caso sejam pegos, os base jumpers podem passar a noite na cadeia, ter seu equipamento apreendido e pagar uma multa de 2.500 dólares. Como na escalada, Nicola também prefere o estilo de salto mais difícil, com uso da wingsuit, roupa que liga os braços ao tronco formando duas espécies de asas. Com o traje que o faz parecer um morcego vermelho, seus saltos de 15 segundos tornam-se vôos com o triplo do tempo.
Embora o seu estilo preferido de escalada seja altamente arriscado, Nicola não teme a morte. Ele já viu a cara feia do desapego súbito várias vezes, como quando a mãe morreu de câncer aos 47 anos, em 1997, pouco antes dele descobrir a escalada. Em julho de 2006, ficou chocado com o acidente de carro pertinho de Yosemite que matou, aos 32 anos, a curitibana Roberta Nunes, escaladora com quem tinha subido o El Captain e por quem tinha admiração e carinho profundos. E, no início deste ano, teve o maior dos golpes ao receber a notícia da avalanche que tirou a vida da ex-namorada canadense Susanna Lantz, uma escaladora e esquiadora de 28 anos que tinha pedalado por 11 meses desde o Alasca até a terra do fogo. “De modo algum quero terminar mais cedo minha passagem por esse plano”, diz, consciente de que o próprio Yosemite, ninho que adotou para si, tem um histórico de tragédias. “Mas gosto de estar intensamente conectado com a natureza, e esse prazer implica no risco”, resume.
Roberta estava com Nicola quando ele cometeu o que chama de maior vacilo de sua vida, em 2004. Duas semanas depois de um casal de escaladores japoneses morrer na via Nose do El Captain, os brasileiros, que escalavam a via Triple Direct com mais dois amigos, passaram pelo lugar da tragédia nas 10 cordadas finais, quando as duas vias se juntam. Tinham percorrido dois terços da parede e só faltavam 10 cordadas para o cume quando Roberta deixou cair uma peça. Nicola quis resgatá-la rapelando numa corda de sete metros, quando percebeu que não havia um nó na ponta. “Foi por pouco”, lembra ele. “Parei a meio metro de vazar no fim da corda e de despencar de um abismo de 800 metros”, recorda. Nicola atribui o erro ao traiçoeiro excesso de confiança de quem já tinha escalado nove paredes naquela temporada. “Depois daquele susto eu checo cada procedimento pelo menos três vezes”, conta. Se vai escalar por 16 dias, leva água para 20 (bebendo 4 litros diários). E, para dobrar um pára-quedas de base jump de forma segura, não se importa de gastar 40 minutos.
“Ele não tem medo de se comprometer a fazer coisas extremas”, analisa o belga Nicolas Favresse, que escalou no primeiro semestre com Nick o Marmolada, na cadeia italiana de Dolomiti di Brenta. “Não acreditei em como ele reagiu calmamente, às 11 da noite e depois de 16 horas de escalada em um frio de matar, quando eu disse que a única forma de voltarmos, caso não chegássemos ao topo, seria descendo por uma greta”, conta Favresse. No tipo de escalada em que se especializou, Nick sabe que nunca pode desistir do topo. Os abandonos são raros e trabalhosos, como a tentativa no Half Dome que abriu esse texto. Ali Nicola deixou cordas e equipamentos, com a esperança de voltar tão logo o tempo permita. “Ele não estressa, parece estar sempre se divertindo”, surpreende-se Favresse. Talvez esteja aí o segredo por trás das conquistas inéditas de Nicola Martinez: realizar o que lhe dá na telha pelo simples prazer de explorar intensamente as maravilhas da natureza. Como as alturas do Yosemite que escolheu como casa.

Entrevista pro Blog do Eliseu EXPN

Na panela de pressão com Nicola Martinez

Ontem bati um papo com o brother Nick Martinez, que está na Califórnia e acabou de mandar uma das rotas mais cabeludas do El Capitan, a Pressure Cooker VI 5.10 A4, testpiece do mestre Eric Kohl.
Então, fiz ao Nick umas perguntas pra galera do Brasil saber o que rolou:

Nick no portaledge, El Capitan, Yosemite, EUA.




Iaí Nick, o que tem feito depois da última passagem pelo Brasil?
Bom Eliseu, você sabe que as coisas parecem rolar pro meu lado fora do Brasil, desde comecei a escalar (e você foi um dos maiores incentivadores ). Mandei-me pra Europa onde escalei pouco e me dediquei mais aos esportes aéreos, um mês na Itália e já sentia que a temporada no Vale de Yosemite estava por começar. Chegando no Vale comecei a carregar meus equipos pra base da parede do Half Dome pra segunda ascensão da via Queen of Spades, a aproximação até a base da parede e uma trilha quase vertical, por isso pouca gente escala as vias em artificial. Imprevistos a parte (mal tempo, ter minha comida roubada por urso na base…). Enfim comecei a escalada dormi na segunda cordada, segundo dia limpei a terceira e quando partia pra quarta, testando uma de minhas pecas em um bloco expansivo em segundos o bloco voava sobre minha cabeça esmagando minha mão contra a parede batendo no meu joelho e voando parede abaixo… Fixei minhas cordas de 70 e 60m e trabalhei no auto-resgate com uma só mão… De molho na primavera e verão me mandei pra escola de pára-quedismo pra saltar de aviões… Neste verão com meu visto aqui nos USA pra vencer me mandei pra Squamish no Canadá onde tive a oportunidade de escalar com Tonto do Brasil…

Quais os picos que você não conhecia que considera mais irados?
Bom, não conheço muitos picos de escalada mas Yosemite e a Patagônia chilena são dois lugares iradissimos. Vontade de viajar não falta, Paquistão, Himalaia, Patagônia Argentina, Alaska… Yosemite é muito bom na primavera e outono onde a temperatura é mais sólida e a aproximacao das paredes é pequena em comparação a outros lugares e a qualidade do granito e fendas são incomparáveis.

Qual foi dessa escalada da Pressure Cooker? Fala da via, e como aconteceu a escalada.
Bom, após minha escalada no Porcelain Wall em 2006 colocando a segunda ascensão da rota depois de 11 anos sem nenhuma repetição deixei os big walls de lado pra me dedicar ao pára-quedismo e base jump. A tentativa da Queen nesta primavera foi meio frustrante por ter me machucado, voltei pro vale mordendo o beiço e com sangue nos olhos para repetir algo que tivesse poucas ascensões, de bobeira no El Cap Meadow trocando uma ideia com meu amigo Alik Berg do Canadá, que aos 20 anos de idade já tem mais de 20 vias no El Cap em diferentes estilos surgiu a idéia de escalar a via, em menos de 2 dias já tínhamos tudo na base da parede. Sabíamos que seria uma das vias mais difíceis de enfrentaríamos em nossa carreira de escaladores de big wall.



Alto no El Capitan.



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Como surgiu a idéia de escalar essa rota?
Então, a primeira vez que ouvi falar desta via foi quando meus amigos Ammon McNeely e Ivo Ninov decidiram escalar a rota em um dia “in a push”, ajudei os loucos a carregarem seus equipos pra base da parede e ali passamos a noite, dia seguinte sentei na base da parede e ali assisti-los escalar as primeiras 5 enfiadas mandando grandes blocos abaixo. Este ano, após a tentativa da escalada da via Queen of Spades no Half Dome, fiquei de molho pelo verão, e no outono senti que era hora de mandar algo excitante… Sentado no El Cap Meadow com meu camarada do Canada, Alik Berg surgiu a idéia de mandar a via…



Nick e Alik Berg no El Cap Meadow, Yosemite
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Como você vê o futuro da escalada artificial nas grandes paredes de Yosemite?
O El Captain ja saturou, as vias que tinham que ser abertas já foram, mas há muita rocha ainda pra ser explorada como a parede do Mt Watkins, Hetchy Hetcky, entre outras… O futuro esta na mão dos escaladores do presente, passando pra próxima geração a ética local. Muitas das vias antigas em artificial tem sido escaladas em livre, El Nino, Golden Gate, Lurking Fear, Salathe wall. Parabéns aos fortes escaladores que tem puxado limites livrando essas vias, no meu ponto de vista o futuro esta ai…



Como anda o base-jump? Tem saltado muito? Onde?
Bom sempre me jogando, seja de aviões, antenas, pontes sendo minha maior paixão os big walls onde posso saltar meu wingsuit, a maioria dos meus saltos de big wall são na Itália, Monte Brento… Mas tenho alguns de lugares ilegais que é melhor a gente deixar em OFF mesmo… Sensação de liberdade, voar como um passaro, voar meu corpo por lugares inóspitos, dividindo e conhecendo gente do mundo inteiro por onde passo.





Qual seu plano de vida a médio e longo prazo? Você pensa em um dia voltar a morar no Brasil, ou só passar temporadas?
Vou vivendo dia a dia vendo o que acontece, com certeza continuar girando o globo atras de terrenos inospitos continuar saltando com meu pára-quedas. O Brasil só por temporadas mesmo. Ainda quero passar uma temporada em Salinas e quem sabe repetir algumas das vias na Pedra do Sino… Mas minha historia rola mais natural ( grana, trampo, patrocínios ) aqui fora mesmo…




Nicola Martinez saiu do Brasil faz mais de 10 anos pra viver seu sonho de escalar e voar. E hoje, na Califórnia, está feliz da vida fazendo as coisas que ama. Nick tem o patrocínioo da Território Online, Blue Water Ropes e Yates Big Wall Gear.

Saturday, November 01, 2008

Pressure Cooker with my brother Alik

The place where everything goes down, I mean up... 
Whatever you want can happen... 
Just have FUN...


Thursday, September 18, 2008

Monday, September 15, 2008

Banff Film Festival

Nicola Martinez em uma parceria com seu grande amigo, irmao, Joao Vidotti tiveram o filme - Nicola Martinez - Na trilha das rochas selecionado pro Banff Film Festival do Rio de Janeiro...
Confiram a primeira parte do filme.

www.youtube.com/watch?v=WC6FZs5hbTM

Saudacoes a todos da montanha

Tuesday, June 24, 2008

Tuolumne Meadows

Lori, Jean, Fidel and Nick... The Party of life trip

The descent
Top...
Nick, On the Lamb traverse. Tuolumne Meadows
Lori and Nick loving life...
Photos: Fidel Mguirado

Monday, June 23, 2008

Half Dome

Nick buscando as coisas na base do Dome apos um grande bloco se descolou da parede e caiu na minha mao... Mais historias e continuidades nas escaladas no vale vindo logo mais. Abracos a todos. Saudacoes do Vale encantado. 
Photo: Allisyn Beisner

Friday, June 20, 2008



Gus, you'll always be missed. Peace. RIP.

Saturday, April 26, 2008

Ciao Cesarino Fava


photo: Julio Malfer

Cesarino Fava died yesterday aged 87 at Malé (Italy). His life was bonded to mountaineering and in particular to Cerro Torre in Patagonia. All mountaineers have lost a great friend.
It seems impossible, Cesarino is no longer with us. It seems impossible, because Cesarino Fava is a man one cannot forget. For his infinite vitality. And because the years, all the years of his long life, had not tainted his way of being, always passionate and absorbing. Cesarino Fava loved life. This was clear to all, palpable. He loved being with people with his heart, understanding, knowing, talking but also listening. And his "closeness" drew you in, regardless of whether you were an old friend or whether he met you for the very first time. He was a friend. I've heard this said of Cesarino by many, by all those who had met him. And this goes for me, too. This is how he was, the eternal young alpinist from the Trentino region who departed from his Malé for Argentina. He was an emigrant therefore, a word which Cesarino held in high esteem, "fighting" and constantly inventing his life. Just as he always invented his mountaineering. His mountains, which he loved deeply and with all of himself. Just like he loved his family, a great family as he often liked to remind.Many will remember Cesarino's intrinsic link with Cerro Torre and with Cesare Maestri. They will remember that it was he who called Maestri and the Trentino mountaineers to that fairy-tale mountain (and those Patagonian mountains). It was he who in 1959 saved Maestri after the tragic ascent of Cerro Torre during which Toni Egger lost his life. Perhaps far fewer will remember though the episode on Aconcagua during which he attempted to rescue an American mountaineer, abandon by his guide. That adventure cost Cesarino frostbite on both feet, amputated in large part. But he never gave up and he continued to climb, he continued to love the mountains like before and even more than before. Without ever complaining about his fate. He tried to soar high, to elevate. Cesarino Fava was special... perhaps it is because of this that yesterday many mountaineers felt a bit lost, a bit alone. Vinicio Stefanello

Text from
www.planetmountain.com

Saturday, March 15, 2008

Dean Potter - New York Times 2008

900 Feet Up With Nowhere to Go but Down



Moab


MOAB, Utah — He had learned this extreme form of tightrope walking from a homeless man who wrote books on quantum physics. But that was years ago, while goofing around on a flexible piece of nylon webbing tied close to the ground between a tree and the bumper of a Chevy van.
This was something else entirely for Dean Potter, one of the world’s best climbers, barefoot in the dying sun last Friday, walking between ledges of a U-shaped rim above Hell Roaring Canyon, a 400-foot sheer sandstone wall on his right, a 900-foot drop to a dry riverbed on his left. No leash tethered him to the rope. Nothing attached him to earth but the grip of his size-14 feet and the confident belief that, if needed, his parachute would open quickly and cleanly and not slam him into the canyon wall.
At 6 feet 5 inches and 180 pounds, wirily strong, Potter dressed in jeans and blue T-shirt emblazoned with a hawk. He wore a wide headband over unruly hair, gaining the appearance of a less gaunt and reckless Keith Richards as Alpine daredevil. As Potter stepped onto the 180-foot rope — a strand of iridescent blue against desiccated canyon shades of brick and tan and coppery green — he was believed to be the first person to combine the adventure sports of highlining and BASE-jumping.
He was also taking another stride toward his longing for avian flight, not as a birdman in a nylon wing suit or squirrel suit, which he had tried, but as a soloist who could jump off a cliff in a way that he did not yet understand, with a strength and concentration that he did not yet possess, and simply fly. Trance music pulsed from speakers on the canyon ledge with knowing lyrics: “Sometimes I think my dreams are wild.”
Highlining was a high-wire version of slacklining, an extreme cousin of tightrope walking in which no pole was used for balance and the rope was elastic, allowing for various tricks involving walking, sitting, lying down, flipping, even spinning hula hoops. BASE-jumping was an acronym used to describe parachuting from objects like buildings, towers, bridges and cliffs.
At 35, Potter had long stirred wonder as a climber. Six years ago, in Yosemite National Park, he became the first person to free climb El Capitan and Half Dome together in less than 24 hours, meaning he used ropes only for protection in case he fell, climbing only with his hands and feet for a vertical mile. It was an effort requiring remarkable concentration and speed that would be unthinkable for an average weekend climber, who would need gear and most or all of a two-week vacation to make a similar ascent.
In 2001, Potter climbed the famous Nose route on El Capitan, a 3,000-foot vertical wall with a fierce overhang, in 3 hours 24 minutes. It was a feat stunning in its economy, considering that, in 1958, the renowned climber Warren J. Harding led the first team up the route in 45 days. Often, Potter has climbed thousands of feet carrying no ropes at all, nothing to aid his grip but shoes and a bag of chalk.
“Sport is all about being in the zone, when time and space stop and everything goes away,” said Beaver Theodosakis, the founder and president of prAna, the climbing apparel company that sponsors Potter. “Dean holds that zone for hours on end, when the mind can’t wander, when you can’t second-guess, when you have to be so confident and deliberate in your moves. Imagine in everyday life, if we could go to the office like that and not be distracted.”
If he was awe-inspiring, Potter was also a polarizing figure in the climbing world. In 2006, he climbed Delicate Arch, the revered 60-foot sandstone structure located near here that is featured on Utah license plates. Technically, it was not an illegal ascent, but Potter came under ferocious criticism, accused by others of slicing grooves in the structure (which he denies) and of betraying the soulfulness of climbing with self-promoting news media attention.
“Do what you want, but don’t make it a spectacle,” Cory Richards, a Moab photographer and climber, said.
In the uproar, Potter lost his sponsorship with Patagonia, the environmentally sensitive clothing and apparel company.
Still, he said he had no regrets about climbing Delicate Arch. “I know we totally respected that place,” he said. He continues to climb with ambition. At the same time, rock climbing has become so mainstream that gyms invite children to scale indoor walls at birthday parties. In the way surfers branched into skateboarding in the late 1950s, Potter was now pushing the envelope in the emerging sports of highlining and BASE-jumping.
Jim Hurst
“I think that partly has been a motivator for Dean, to keep pushing into the unknown and getting a little more fringe as things are getting more homogenized,” Steph Davis, a top climber and Potter’s wife, said.
Potter, an Army brat who grew up in New Hampshire, began slacklining in 1993 under the tutelage of a Yosemite character named Chongo, famous among climbers for his itinerant lifestyle and his obsessive musings on theoretical physics.
On his Web site, chongonation.com, Chongo warned that even for rock-climbing experts and extreme sport professionals, a misstep while highlining could result in serious Newtonian consequences of action and equal and opposite reaction.
Last Thursday at Hell Roaring Canyon, Potter believed he was finally ready to walk the 180-foot rope while tethered to a leash around his waist. During a couple weeks of rehearsal, he had felt exposed on the rope, with a touch of vertigo. A parabola of sandstone curved off to his right, never more than 60 feet away. To his left, the gorge yawned a half-mile wide. Straight ahead, the rope was anchored to a narrow promontory that seemed to hover, drawing his vision a mile down the canyon.
“When I get in the middle, an emptiness takes over,” Potter said. “I felt a little helpless.”
On his first few attempts at sunset, the temperature dipping into the 30s, Potter straddled the rope as he fell, barrel-rolling into a sitting position and scooting back to the ledge. And then with impeccable balance and concentration, his arms waving in smooth, swooping motions, he reached midway and beyond. The rope was more taut than a regular slackline. Still, it gave about two feet in the middle and moved a foot from side to side. Potter kept his equilibrium. The leash’s metal ring dragged behind him, giving a reassuring scrape along the rope that was amplified by the canyon’s acoustics.
He secured the rope between his two biggest toes, focusing on a yellow flag hanging from the outcropping at the end of the line. He grew more confident and his breathing became shallow and loud and when he covered the distance Potter let out a whoop.
It was at times like this, full of calm and terror, Potter said, that he felt most connected to himself and his surroundings.
“When there’s a death consequence, when you are doing things that if you mess up you die, I like the way it causes my senses to peak,” Potter said. “I can see more clearly. You can think much faster. You hear at a different level. Your foot contact on the line is accentuated. Your sense of balance is heightened. I don’t seem to feel that very often meditating.”
From the time he was a boy, Potter said, he had a recurring dream. He was in the air and people were giving him instructions in high-pitched squeaks, teaching him how to fly. At the end of his dream, he began to fall, dropping toward a dead tree, and then he awakened. As a climber, he came to believe that he might be seeing his own death. But as a highliner and BASE-jumper, he said, he had come to view his dream as an affirmation of flight instead of a portent of mortality.
Potter’s whole career has been moving toward a moment of detachment, said a friend, Brad Lynch, a filmmaker who has spent two years on a film about him called “The Aerialist.” First, Potter climbed with ropes, then only with his fingers. Now he held on by the clutching of his feet.
“How little can you be attached to the earth by?” Lynch said. “How thin you can you make the veil?”
Last Friday morning at Hell Roaring Canyon, the sky was cloudless. The wind calmed as temperatures rose into the 50s. The leash was gone. Now Potter would rely on a parachute for safe passage to the ground. If he slipped off the highline, he would have four or five seconds to open the chute before he hit the broken rock below. It was imperative that he jump away from the sandstone wall so that he could float safely to a sandy wash on the canyon floor. The landing zone was marked with a circle on the river bed. A yellow flag signaled the wind direction.
As Potter stepped onto the line, he seemed not yet comfortable with the 12 pounds of extra weight from the parachute. When he fell and straddled the rope, it became more difficult to roll back into a sitting position. His movements, fluid without the chute, were jerky now, less certain.
After a few tries, he said he needed a break then changed his mind. He walked 15 feet or so along the line, lost his steadiness, stuck his left leg out as a counterbalance, windmilled his left arm, then bounded on both feet off the rope, dropping into the canyon. He chute opened with a popping sound and he wafted toward the river bed, overshooting the landing zone in his bare feet, cutting his foot slightly on a rock.
“It’s still intimidating” without a leash, Potter said after climbing back to the canyon rim. “There was no noise from that steel ring holding me onto the earth.”
Still, he clearly relished the liberation of his brief free fall from the line.
“I flew a little, oooh, yeah, pretty nice,” Potter said.
At sunset, he gave it another try, but his second parachute was a pound or two heavier. Potter seemed tired and wobbly, sticking his left leg out for balance, then his right.
Again he hopped off the rope, gliding toward the river bed, landing this time like a leaf on water. In a week, he thought he would be able to walk the entire line. Already, he felt one step closer to flying.
“Part of me says it’s kind of crazy to think you can fly your human body,” Potter said. “Another part of me thinks all of us have had the dream that we can fly. Why not chase after it? Maybe it brings you to some other tangent. Chasing after the unattainable is the fun part.”

Video
http://www.nytimes.com/2008/03/14/sports/othersports/14climber.html?pagewanted=1&_r=1&sq=Dean%20Potter&st=nyt&scp=1

Tuesday, March 04, 2008

Susie Lantz - Gravidade Zero - Brasil - 2005



Suisie´s bike trip stories when she finished the big ride... Proud of you. Love. N

Saturday, February 23, 2008

Aaron Jones


Here is a youtbue video filmed by Daniel Folk. The belayer is Matt Thomsen. The route is a OW roof located in the Red River Gorge with a gnarly lip turn and is rated 5.12c.